domingo, 5 de abril de 2015

ROTA SUL: BRASÍLIA - BARRA VELHA (SC)

Ricardo em viagem solo a Santa Catarina 
26/3 a 2/4/2015 


O plano era um bate-fica em Lins-SP, mas virou um bate-avança até o Paraná e... imediatamente estendeu-se até o litoral catarinense. No total, 3.200 km de viagem solo, durante oito dias, sendo um dia parado, devido ao mau tempo (média de 450 km por dia).

Nenhum pneu furado, nenhum susto, mas muita variação climática! E tome chuva na estrada... Como chuva não combina com fotos turísticas, esta foi uma viagem sem álbum de fotografias.

Na verdade, o clima se mostrou desfavorável desde a saída. Nas sete-curvas da BR-060 (entre Brasília e Alexânia) o nevoeiro era forte às 7 da manhã. Visibilidade curta, trânsito intenso e a viseira insistindo em embaçar, mesmo protegida com impermeabilizante. Abro bem a viseira e a visibilidade melhora (só um pouco), mas a neblina invade o interior do capacete, que começa a ficar com a forração úmida já no primeiro dia!

Enfim, acho que, para quem viaja de moto, nevoeiro pode ser pior do que chuva...


Na Serra antes de Ventania-PR, mais nevoeiro e, depois, neblina e chuva de Curitiba a Barra Velha (na ida e na volta). Considerando as chuvas no retorno para Brasília, foram-se mais de 400 km embaixo d'água...

Complicado, também, é o pedágio no Paraná. Um assalto legalizado. Deve ser o mais caro do país, sem a correspondente qualidade das estradas. Em muitos lugares, o asfalto é mal remendado e a sinalização é deficiente. Na divisa de São Paulo com Paraná (região de Ourinhos), a moto paga R$ 7,80 só para passar pelo trevo, ou seja, paga pedágio integral só para cruzar sobre a rodovia pedagiada. Será que os órgãos fiscalizadores estão cegos?








Entre Curitiba e Barra Velha, o tempo esteve daí pra pior... 

Ops, até aqui só falei das adversidades! Não há nada de bom para contar? Sim, muita coisa boa, é claro!

Depois da revolta com o pedágio do Paraná, nada é mais gratificante do que os pedágios grátis para motos nas excelentes estradas do estado de São Paulo. Ali, toda a raiva fica para trás...

A solidariedade das pessoas é outro ponto alto em qualquer viagem. Mas viajando sozinho, de moto, isso é ainda mais precioso. Por exemplo: logo no início da viagem, vejo-me meio perdido à procura do hotel onde já estive, na cidade pouco conhecida, quando aparece um morador que se oferece para me guiar voluntariamente até o hotel que eu descrevi. Em outro dia, aceno ao caminhoneiro na pista, em agradecimento por ter aguardado no cruzamento até que eu passasse. Quilômetros depois, estou eu confuso na rotatória mal sinalizada de Itaporanga-PR, quando o mesmo caminhoneiro encosta espontaneamente para me orientar. Dias depois, bebendo um chope no KA-2, em Araraquara, estico-me muito na cadeira para aliviar o cansaço e não percebo que a carteira escorrega do bolso. O garçon não só percebe, como a devolve prontamente.

Belos cenários não faltam por essas estradas. Longas retas cortam paisagens exuberantes na BR-153, na BR-050 e na sempre deliciosa Anhanguera... E, no Sul, as curvas da 376/101 são sempre um prazer à parte, combinando Mata Atlântica com belas paisagens e curvas sensacionais (serra entre Curitiba e Joinville). Vale observar que esse trecho se tornou bem mais seguro, mesmo sob chuva. A rigorosa sinalização e os repetidos radares nas curvas mais perigosas reduziram muito os riscos de acidentes... Ali sim, o pedágio vale cada centavo.

Outro ponto interessante e divertido é curtir a quantidade de motos na estrada. Nas últimas décadas, o mercado se expandiu, as montadoras chegaram com tudo, a oferta de motos se multiplicou e o resultado está nas estradas: motos de todas as marcas e categorias, viajando em grupos ou individualmente, esbanjando alegria e inspiração nas rodovias de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

Mas é no deslocamento puro e simples que está a essência do prazer. Hoje aqui, amanhã lá. Amanhecer em um lugar, anoitecer em outro. Partir do Centro-Oeste e logo chegar ao Sul, ao Norte ou onde quer que seja... Devorar estradas, engolir distâncias, rodar o mundo! Esse é o espírito!

Sozinho é ruim? Depende. Com um grupo de bons amigos, a viagem sempre é uma experiência rica e revigorante, geralmente divertida e repleta de momentos alegres, com sensação de segurança muito maior. Mas sozinho não é necessariamente ruim. Afinal, os sentimentos de autonomia, autossuficiência, autoconfiança e superação falam alto quando uma viagem solo corre bem...

DICAS:

- A BR-050 está toda duplicada desde a fronteira com São Paulo até a fronteira com Goiás. Obras de duplicação já iniciadas no trecho entre Catalão e Cristalina.
- A vicinal entre Cristalina e Brasília piorou, provavelmente depois do tráfego de cargas na safra de grãos e da estação chuvosa. O asfalto está ruim nos primeiros 80 km a partir de Cristalina.
- Botas Mondeo Dry aprovadas até aqui. Pés secos, mesmo depois de horas de chuva...
- Na chuva, luvas X-11 Waterproof Dry aprovadas até aqui. Mãos secas e bem protegidas.
- Usando capas de chuva em nylon (blusa e calça) o rendimento da moto cai e o consumo aumenta. Na tocada que consumia 23 km/l, caiu para 22 km/l quando eu usava capas. Minha conclusão: esse tipo de vestuário não tem boa penetração aerodinâmica.
- Em toda parte vi motoristas distraídos, sonolentos e com retrovisores regulados para enxergar o próprio porta-malas. São um perigo. Por isso, além de manter distância e evitar os pontos-cegos desses maus motoristas, nos trechos mais tumultuados uso luz alta durante o dia (a menos que isso incomode o companheiro à frente, quando viajando em grupo). Isso faz a moto ficar mais visível e evita que o motorista tenha a falsa ideia de que a moto está lenta ou distante.
- Na volta, optei por um longo trecho de estradas vicinais, com muitas curvas e sem acostamentos. Por cautela, nesse trecho rodei sempre abaixo de 90 km/h. Então, depois de 196 km rodados, completei o tanque até o gargalo: foram 7 litros cravados. Ou seja, nesses quase 200 km, o consumo médio foi de excelentes 28 km/l. Só elogios para a fiel companheira!

(Escrito por Ricardo Zani)

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