terça-feira, 28 de abril de 2015

PRAIA DE CANAVIEIRAS - BAHIA

VIAGEM DOS COMDOR'es GALVÃO E PEDRO POLAKO 
BRASÍLIA - CANAVIEIRAS (BAHIA)
ABRIL DE 2015
(clique sobre as imagens para ver em tamanho original)





Galvão (à esquerda) e Pedro, sempre bem recebidos pela simpática gente baiana.

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segunda-feira, 27 de abril de 2015

COISAS QUE TODO MOTOCICLISTA PRECISA SABER

Na onda das listagens de coisas sobre qualquer assunto, segue sobre aquilo que somos apaixonados, motos! 

(Pelo jornalista, motociclista e instrutor de pilotagem Geraldo Tite Simões)
1) Motos não foram feitas para cair. Essa é uma besteira ouvida em toda parte com aquela desculpa de que “se tirar do cavalete ela cai!”. Pra quem não sabe, moto em latim significa MOVIMENTO, ela precisa se movimentar para ter equilíbrio. Parada ela não é moto, por isso cai!
2) Motociclista é corajoso. Só se for louco!Todo ser vivo tem medo, o medo protege do desconhecido. O que faz uma pessoa ser motociclista é conhecer seus limites e da moto e isso é entendido como coragem. Mas basta uma barata voar por perto que a coragem acaba!
3) Moto é perigosa. Não é não! Tenho duas motos paradas na garagem da minha casa e elas não morderam ninguém até hoje. Perigosas são as pessoas!
4) Moto é legal no verão! Engana-se quem pensa que ter o sol saariano esturricando sua pele é gostoso. O verão é uma estação complicada porque o calor é inimigo dos equipamentos de proteção. Quanto mais frio, mais a gente se equipa.
5) O equipamento de proteção é o item mais importante. Na verdade o fator decisivo na segurança é a atitude, a forma preventiva ao pilotar. Depois a qualificação técnica (saber como reagir) e se tudo isso falhar aí sim entra o equipamento. Mas deve-se sempre usar os equipamentos porque representa sua proteção passiva.
6) Moto e a poluição. No século 21 ainda tem gente que afirma que moto polui mais que carro. Isso foi 20 anos atrás por causa de um erro na legislação, que – pra variar – esqueceu de incluir as motos. Um carro de 20 anos atrás também polui mais que hoje. Atualmente as motos emitem muito menos poluentes do que um carro.
7) Usar o freio dianteiro faz a moto capotar.Só se for na cabeça oca do instrutor de moto-escola. Sem usar o freio dianteiro a moto perde mais de 70% de capacidade de frenagem. É preciso usar os dois freios ao mesmo tempo.
8) Se usar o freio traseiro na curva a moto derrapa. Outra bobagem nascida nas bicicletas. Pneu de bicicleta é muito fino e duro, o atrito é precário. Frear uma bike na curva é quase certeza de chão. Mas na moto o pneu traseiro é feito para deformar na curva e dar mais área de contato. O que não pode é frear o dianteiro na curva, senão a moto levanta.
9) Usar óleo dois tempos na gasolina ajuda a lubrificar o carburador. Aff, felizmente hoje a maioria das motos são injetadas e essa bobagem acabou. Mesmo em motos carburadas não é necessário e o óleo na gasolina gera depósito de carvão no pistão, que custa bem mais caro para limpar do que um carburador emperrado.
10)  O óleo é o sangue do motor. Verdade!Se a gente pudesse trocar de sangue uma vez por ano viveria muito mais e mais saudável, mas não dá. Por isso temos rins, fígado e medula óssea para manter nosso sangue sempre no nível e limpinho. No caso do motor é só a PRIMEIRA troca com 1.000 km, as demais podem ser feitas no período indicado pelo manual. Se o uso for intenso, ok, pode antecipar uns 500 km. Mas a cada 1.000 só gera despejo de óleo usado e embalagem no meio ambiente. Aí sim a moto polui mais que carro. 
11)  No piso molhado é queda certa! Se fosse assim não existiria um motociclista vivo nos países tropicais. Piso molhado é menos aderente, claro, mas não precisa exagerar. Os pneus das motos são feitos para dar aderência no seco e no molhado. mas as distâncias de frenagem aumentam, por isso basta reduzir a velocidade.
12)  Em moto esportiva é melhor esvaziar os pneus. Nem sempre! Se for usar a moto na estrada a calibragem é a original de fábrica – que já leva em conta com ou sem garupa. Só em autódromo é preciso esvaziar um pouco para aumentar a deformação nas curvas. Mas a medida exata depende de cada um.
13)  Óleo usado de motor é bom para a corrente. Só se for para sujar a roupa. A corrente precisa lubrificação sim, mas o ideal é óleo fino ou graxa branca ambos em spray. Quanto mais aderente for melhor.
14)  Depois da chuva precisa lavar a corrente com querosene. Não!!! Os solventes retiram a lubrificação permanente das correntes dotadas de retentor. Para limpeza é melhor óleo diesel que por ser óleo não danifica os retentores.
15)  A cada troca de dois pneus traseiros troca-se um dianteiro. Também é papo furadíssimo. Faça as contas: se o pneu traseiro for trocado com 15.000 km o pneu dianteiro terá os mesmos 15.000 km, afinal eles andam juntos. Aí o sujeito coloca um pneu traseiro novinho e deixa o dianteiro usado. Quando essa moto rodar mais 5.000 km terá um pneu traseiro ainda novo, tracionando bem e um pneu dianteiro com 20.000 km sem condições de rodar. Deixe de ser pão duro e troque sempre os dois!
16)  Óleo sintético prolonga os períodos de troca. Nada disso! Quem determina o período de troca é o fabricante da moto e não do óleo! E óleo sintético só se for específico para uso em motos! Óleo de carro não serve pra moto.
17)  Escape barulhento é mais seguro. Outra teoria furada. A informação visual é muitas vezes mais eficiente que a auditiva. Ser visto é infinitamente mais eficiente do que ser ouvido. Dentro do carro, com o rádio ligado e vidros fechados o motorista não focaliza de onde vem o som.
18)  Pneu traseiro mais largo é mais estável. Sempre aparece alguém comentando: "nossa, coloquei um pneu mais largo e melhorou muito!". Houve melhora sim, mas na verdade é porque tirou um pneu gasto e colocou um novo e não por causa da medida!
19)  Na chuva é bom esvaziar os pneus. Não, de forma alguma! Com o pneu murcho os sulcos (os desenhos) diminuem e perdem capacidade de escoamento da água. A calibragem original já prevê o uso na chuva.
20)  Quando o pneu dianteiro gasta mais de um lado é sinal de desalinhamento da moto. Nem sempre! Esse desgaste não deveria aparecer, porque se chegou nesse nível o motociclista passou muito do ponto de trocar o pneu. Na verdade esse desgaste é causado pela inclinação das ruas. Elas são levemente inclinadas para escoar a água da chuva e causa atrito maior sempre de um lado do pneu. 
21)  Motores flex precisam sempre usar os dois combustíveis para limpar os injetores. Nada a ver. O que as fábricas recomendam e evitar usar 100% de etanol porque as motos não tem sistema de partida a frio como nos carros. Mas mesmo em regiões muito frias, com 100% de etanol os motores flex funcionam sem problema.
22)  Ao passar ao lado de caminhões o vácuo pode te puxar para baixo! Impossível! Só se a moto e o motociclistas juntos pesarem menos que uma folha de papel. O que acontece de fato é que caminhões deslocam muito ar pelas laterais. Ao ultrapassar um caminhão na estrada o motociclista vai sentir um deslocamento lateral, mas não será sugado para baixo. O mesmo acontece quando o caminhão vem em sentido contrário: ao passar o motociclista sente um empurrão lateral, mas não sairá voando! 
23)  Pedestre na faixa tem prioridade! Sim, mas as campanhas de trânsito esqueceram de esclarecer que um motociclista não pode ficar parado no meio de um cruzamento esperando o pedestre atravessar. Nos cruzamentos as motos ficam muito expostas. Os pedestres precisam todo nosso respeito, mas com critério e só pare a moto perto da calçada para se proteger de quem não previu essa parada. 
24)  Garupa e baús (top case). Sempre que levar alguém na garupa lembre que terá uma massa extra colocada sobre o eixo traseiro. Isso altera o comportamento da moto, que fica menos estável e os espaços de frenagem aumentam. No caso do baú é pior, porque a massa fica deslocada para atrás do eixo traseiro provocando uma alavanca que desestabiliza a dianteira da moto. Respeite os limites de carga do baú e quando estiver carregado respeite os limites de velocidade indicado pelo manual do fabricante do baú.
25)  No corredor do trânsito siga os motoboys. Nada disso! Primeiro porque os motociclistas profissionais tem muito mais experiência e segundo porque alguns passam tocando o terror em cima dos motoristas que podem se vingar no próximo que vier, justamente você!
26)  Listas da Internet. Por fim, não confie em tudo que lê em fóruns e redes sociais. Hoje tem muita gente se passando por instrutor de pilotagem. Antes de acreditar em qualquer lista verifique o histórico do autor!

Autor: Geraldo Tite Simões - Jornalista e instrutor de pilotagem do Curso SpeedMaster de Pilotagem - www.speedmaster.com.br 
Conheça o Blog do Tite - www.motite.com.br
Texto publicado com a autorização do autor para o RockRiders.com.br.

domingo, 5 de abril de 2015

ROTA SUL: BRASÍLIA - BARRA VELHA (SC)

Ricardo em viagem solo a Santa Catarina 
26/3 a 2/4/2015 


O plano era um bate-fica em Lins-SP, mas virou um bate-avança até o Paraná e... imediatamente estendeu-se até o litoral catarinense. No total, 3.200 km de viagem solo, durante oito dias, sendo um dia parado, devido ao mau tempo (média de 450 km por dia).

Nenhum pneu furado, nenhum susto, mas muita variação climática! E tome chuva na estrada... Como chuva não combina com fotos turísticas, esta foi uma viagem sem álbum de fotografias.

Na verdade, o clima se mostrou desfavorável desde a saída. Nas sete-curvas da BR-060 (entre Brasília e Alexânia) o nevoeiro era forte às 7 da manhã. Visibilidade curta, trânsito intenso e a viseira insistindo em embaçar, mesmo protegida com impermeabilizante. Abro bem a viseira e a visibilidade melhora (só um pouco), mas a neblina invade o interior do capacete, que começa a ficar com a forração úmida já no primeiro dia!

Enfim, acho que, para quem viaja de moto, nevoeiro pode ser pior do que chuva...


Na Serra antes de Ventania-PR, mais nevoeiro e, depois, neblina e chuva de Curitiba a Barra Velha (na ida e na volta). Considerando as chuvas no retorno para Brasília, foram-se mais de 400 km embaixo d'água...

Complicado, também, é o pedágio no Paraná. Um assalto legalizado. Deve ser o mais caro do país, sem a correspondente qualidade das estradas. Em muitos lugares, o asfalto é mal remendado e a sinalização é deficiente. Na divisa de São Paulo com Paraná (região de Ourinhos), a moto paga R$ 7,80 só para passar pelo trevo, ou seja, paga pedágio integral só para cruzar sobre a rodovia pedagiada. Será que os órgãos fiscalizadores estão cegos?








Entre Curitiba e Barra Velha, o tempo esteve daí pra pior... 

Ops, até aqui só falei das adversidades! Não há nada de bom para contar? Sim, muita coisa boa, é claro!

Depois da revolta com o pedágio do Paraná, nada é mais gratificante do que os pedágios grátis para motos nas excelentes estradas do estado de São Paulo. Ali, toda a raiva fica para trás...

A solidariedade das pessoas é outro ponto alto em qualquer viagem. Mas viajando sozinho, de moto, isso é ainda mais precioso. Por exemplo: logo no início da viagem, vejo-me meio perdido à procura do hotel onde já estive, na cidade pouco conhecida, quando aparece um morador que se oferece para me guiar voluntariamente até o hotel que eu descrevi. Em outro dia, aceno ao caminhoneiro na pista, em agradecimento por ter aguardado no cruzamento até que eu passasse. Quilômetros depois, estou eu confuso na rotatória mal sinalizada de Itaporanga-PR, quando o mesmo caminhoneiro encosta espontaneamente para me orientar. Dias depois, bebendo um chope no KA-2, em Araraquara, estico-me muito na cadeira para aliviar o cansaço e não percebo que a carteira escorrega do bolso. O garçon não só percebe, como a devolve prontamente.

Belos cenários não faltam por essas estradas. Longas retas cortam paisagens exuberantes na BR-153, na BR-050 e na sempre deliciosa Anhanguera... E, no Sul, as curvas da 376/101 são sempre um prazer à parte, combinando Mata Atlântica com belas paisagens e curvas sensacionais (serra entre Curitiba e Joinville). Vale observar que esse trecho se tornou bem mais seguro, mesmo sob chuva. A rigorosa sinalização e os repetidos radares nas curvas mais perigosas reduziram muito os riscos de acidentes... Ali sim, o pedágio vale cada centavo.

Outro ponto interessante e divertido é curtir a quantidade de motos na estrada. Nas últimas décadas, o mercado se expandiu, as montadoras chegaram com tudo, a oferta de motos se multiplicou e o resultado está nas estradas: motos de todas as marcas e categorias, viajando em grupos ou individualmente, esbanjando alegria e inspiração nas rodovias de Norte a Sul, de Leste a Oeste.

Mas é no deslocamento puro e simples que está a essência do prazer. Hoje aqui, amanhã lá. Amanhecer em um lugar, anoitecer em outro. Partir do Centro-Oeste e logo chegar ao Sul, ao Norte ou onde quer que seja... Devorar estradas, engolir distâncias, rodar o mundo! Esse é o espírito!

Sozinho é ruim? Depende. Com um grupo de bons amigos, a viagem sempre é uma experiência rica e revigorante, geralmente divertida e repleta de momentos alegres, com sensação de segurança muito maior. Mas sozinho não é necessariamente ruim. Afinal, os sentimentos de autonomia, autossuficiência, autoconfiança e superação falam alto quando uma viagem solo corre bem...

DICAS:

- A BR-050 está toda duplicada desde a fronteira com São Paulo até a fronteira com Goiás. Obras de duplicação já iniciadas no trecho entre Catalão e Cristalina.
- A vicinal entre Cristalina e Brasília piorou, provavelmente depois do tráfego de cargas na safra de grãos e da estação chuvosa. O asfalto está ruim nos primeiros 80 km a partir de Cristalina.
- Botas Mondeo Dry aprovadas até aqui. Pés secos, mesmo depois de horas de chuva...
- Na chuva, luvas X-11 Waterproof Dry aprovadas até aqui. Mãos secas e bem protegidas.
- Usando capas de chuva em nylon (blusa e calça) o rendimento da moto cai e o consumo aumenta. Na tocada que consumia 23 km/l, caiu para 22 km/l quando eu usava capas. Minha conclusão: esse tipo de vestuário não tem boa penetração aerodinâmica.
- Em toda parte vi motoristas distraídos, sonolentos e com retrovisores regulados para enxergar o próprio porta-malas. São um perigo. Por isso, além de manter distância e evitar os pontos-cegos desses maus motoristas, nos trechos mais tumultuados uso luz alta durante o dia (a menos que isso incomode o companheiro à frente, quando viajando em grupo). Isso faz a moto ficar mais visível e evita que o motorista tenha a falsa ideia de que a moto está lenta ou distante.
- Na volta, optei por um longo trecho de estradas vicinais, com muitas curvas e sem acostamentos. Por cautela, nesse trecho rodei sempre abaixo de 90 km/h. Então, depois de 196 km rodados, completei o tanque até o gargalo: foram 7 litros cravados. Ou seja, nesses quase 200 km, o consumo médio foi de excelentes 28 km/l. Só elogios para a fiel companheira!

(Escrito por Ricardo Zani)