E/D: Wellington, Wantuil, Ricardo, Vilson e Humberto.
VILA BOA
Posto Flamingo, 7h30. Assim
foi combinado.
Mas Humberto já havia avisado
que tinha compromisso antes, o que sugeria certo atraso. Contudo, ele acordou
às 5 da manhã e foi correr... Nos corredores da Ceasa, correu atrás de cebola,
alho, couve-flor, alface, tomate, jiló, coentro...
Resolvida a tarefa, lá estava
ele no Flamingo, na hora combinada.
Enquanto isso, eu, Vilson,
Ricardo e Wantuil, que não tínhamos compromisso algum, chegamos depois do
Humberto, cada um inventando uma desculpa.
Em seguida, mais tempo
perdido, tentando configurar os intercomunicadores.
- Cadê o manual?, perguntou
Vilson.
Como o próprio nome diz,
manual é para se ter à mão. Mas nem eu, nem Ricardo, nem Wantuil tínhamos os
manuais em mãos! Um ficou na gaveta, outro no armário da sala e outro na
garagem.
- Eu desisto...
- V’ambora, então. Na próxima
vez a gente estuda o manual antes de sair, prometemos uns aos outros.
Até Planaltina, o trânsito é
intenso e perigoso, mas a partir daí as coisas vão-se acalmando na BR-020, que
é a rodovia mais perigosa na região do DF.
A estrada tem traçado
retilíneo, onde predominam as extensas subidas e descidas. Distante da estrada,
algumas montanhas quebram a monotonia das fazendas de gado.
Percorridos 160 km, estamos em
Vila Boa, com sol quente e um cheiro apetitoso vindo do modesto restaurante, ao
lado do posto de gasolina.
Eu e Wantuil optamos por algo
“leve” (pastéis de carne), enquanto Ricardo tilintava as tampas das cubas do self
service, seguido pelo Humberto e Vilson, para se fartarem com arroz, frango,
bife acebolado, feijão tropeiro e saladas.
Se a boa comida caseira
satisfez a fome, não diminuiu nosso apetite por estrada. Assim, a conversa girou
em torno de planos pelo Sul, passando pelo Uruguai, Atacama e, “por que não o
Alasca?”, arriscou Wantuil!
- Atacama o Regimar já está
planejando para o ano que vem!, lembrou o Ricardo.
Na saída, duas meninas nos
ofereceram dindim (sacolé?) por dois Reais cada. Wantuil comprou o último que uma
das meninas carregava na caixinha encardida de isopor.
- Essas motos são de vocês?,
perguntou a criança.
- Sim, são nossas! –
respondeu alguém de nós.
Montamos nas máquinas (Explorer,
Shadow, Varadero e duas Harley), sob os olhares curiosos das crianças, com suas
sandálias empoeiradas e vestidinhos descorados.
Antes de pegarmos o caminho
de volta a Brasília, circulamos um pouco pela minguada Vila Boa. Crianças
descalças nas ruas precárias e tranquilas se agitavam ao nos ver. E adultos à
sombra de árvores e alpendres de botecos nos saudavam com cara de admiração.
No retorno a Brasília, ao
entrar no Eixão cada um se esgueirou pelas bifurcações rumo à sua casa, e com
as motos em movimento nos despedimos, acenando e buzinando.
Já em casa, ao estacionar minha
moto, notei que uma sensação de fraqueza me rondava. Foi então que me lembrei
do lanche fraco que substituiu meu almoço. Os dois pastéis e o guaraná não
supriram o desgaste da viagem... Então salivei,
pensando nos dindins coloridos e no bifão acebolado que os companheiros almoçaram.
(Escrito por Wellington
Figueiredo)